Acendi as luzes, estava sozinha em casa como sempre
o vento fazia barulho nas janelas
abri a geladeira sem saber ao certo o que procurava
mas ao menos encontrei duas latas da gelada
era o que me restava naquela noite maldita
Da bolsa, pendurada na maçaneta,
meu maço estava no fim
restavam apenas cinco
e ainda era sete horas da noite
Acendi o primeiro de cinco
Só precisava de silêncio,
de uma bebida leve e do meu companheiro
para refletir meu pesado dia
Ah quem diga que eu merecia tudo que ouvi,
talvez merecesse mesmo
quando penso nisso o choro vem a tona
desabei e sentia pena de mim diante daquela barriga cheia
que me fez calar
estava triste e humilhada
Volto a acender mais um
A campainha toca, é ele, o anjo da noite
Veio me fazer companhia quando soube da minha tristeza
Calado ele me abraça mesmo com as duas mãos ocupadas
Acendeu um para me acompanhar
Afagou meus cabelos e disse que eu era importante pra ele
Por um minuto eu me sentia especial de verdade,
Estava segura.
Era só o que eu precisava
De um homem gentil ao meu lado
e nada mais importava
Foi ficando tarde e ele teve que partir
agradeci tudo com um olhar carinhoso
e com um abraço caloroso
me despedi na porta do elevador.
Ele me deixou confortável
Me sentia em paz,
E entendia melhor a vida
Pequenos gestos simples
Traduzidos em amor e esperança
Oferecidos, quando menos se espera
Fez me sentir brilhante,
Como uma estrela no céu
Julia Holland*





