Em uma trilha de Trindade, no Rio de Janeiro, lá estava ela, toda curiosa. Toda animada. Não estava sozinha. Uma grande turma de amigos lhe acompanhava. Afoitos. Férias de verão. Adentraram intrigados naquela mata densa. Os olhos se perdiam em meio tanta beleza. Em meio tantas cores. Pássaros faziam a trilha sonora perfeita. O sol brilhava por meio as árvores. E como brilhava aquele sol. Seu companheiro, o céu, estava impecável em um azul turquesa celestial. Nada poderia ser melhor.
Com passos lentos, trilhavam sem destino. Seguir placas não era nenhuma prioridade. Estavam cegos. Aos poucos, o silêncio começou imperar, mas não repararam, pois estavam surdos. A floresta de Trindade é mágica.
Desligada, como todos os outros, caminhou sozinha. Quando reparou estar só, não teve medo. Não pensou em nada. Seguiu caminhando, tranqüila, como chegara até ali. Para ela, não havia o que temer.
Ainda sobre encanto, caminhou perdida por mais alguns minutos. Sentiu que estava no caminho certo quando um forte barulho de cachoeira imperou sobre o silêncio da mata. Não teve dúvidas e apertou seus passos. Logo à frente, atrás de dois extensos troncos, lá estava ela na cachoeira secreta da Praia Brava.
Aspirou o puro ar aliviada, mas antes que pudesse soltar, avistou ao lado da cachoeira um homem sentado. Ele tinha consigo um violão o qual tocava, de costas para ela. Por mais uma vez no dia, ela não pensou em nada. Contou até três e resolveu descer até lá. Ao se aproximar, o rapaz sentiu sua presença. Como se já estivesse esperando por alguém, virou com um largo sorriso. Seus olhos brilhavam refletidos pelo sol. Ele parecia estar alegre em vê-la. E ela, sorrindo de volta o chamou. – Ju, estou perdida! Olhando em seus olhos, ele respondeu. – Acho que não está mais.
Júlio Frutuoso








