Palavras de uma madrugada.
Quais seriam elas? Diante de um silêncio ensurdecedor, quais palavras eu deveria usar? Pela terceira vez escrevo palavras que serão deletadas assim que eu chegar ao final de mais uma folha.
De outro lado, uma pessoa me espera acordada. Ela devia ter o meu amor agora. Mas algum inseto do medo me picou e eu simplesmente corro dela. Ela deve saber o quanto eu gosto dela, e por mais que não seja da característica dela, ela luta por mim. De uma maneira discreta, mas ela luta por mim.
Acho que é isso que eu queria falar. Que o medo e o amor estão presentes ao mesmo tempo. Dentro de um mesmo espaço. Espaço esse que agora se chama coração. O mesmo espaço que a mente. E lá, de um lado com espadas afiadas, o medo. Do outro lado, com poucos soldados corajosos a vencer a batalha, o coração.
Essa guerra talvez esteja só no começo. Talvez, com atitudes e sementes, o amor possa se engrandecer diante ao medo. O medo deveria saber que quando o coração quer alguma coisa, não importa o tempo que demore, ele consegue.
Ainda sim, teimoso e orgulhoso como ele só, o medo volta a visitar o coração, porém, jamais ficará para o próximo verão. Com um coração firme, o medo estará sempre de partida. O coração, hoje e sempre, é lugar para aqueles que buscam a plena felicidade no amor.
Talvez seja isso. Talvez as minhas palavras da madrugada sejam essas. Onde o silêncio impera, ouve-se um grito afirmando que, onde há amor, há batalhas vencidas. Sem medos, sem dúvidas, apenas amor.
O galo cantou e minha madrugada acabou. Uma pena que termine assim, sem essas palavras servirem para mim.
Júlio Frutuoso
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