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Vinho tinto no carpete branco…

Ela me olhava de cima abaixo, não permitindo que eu fizesse nada. Tentei pausar a música que tocava, mas tudo estava tão confuso. A taça de vinho que segurava escapou entre meus dedos quando resolvi encará-la, espalhando o tinto por todo o carpete branco.

Naquele momento, mesmo que distante, a ouvi suspirar. Mordeu os lábios, e com um olhar fatal me encarou de volta, como quem dizendo: Te peguei! Não me movi. Não respirei. Não senti minha alma sair do corpo. Mas ela sim. E ela sabia bem o que estava fazendo.

"A taça de vinho que segurava escapou entre meus dedos quando resolvi encará-la, espalhando assim, o tinto por todo o carpete branco...."

Dona da situação e vestindo apenas uma camisa azul masculina, sorriu sapecamente, deixando suas covinhas aparecerem. Seus cabelos estavam soltos, radiantes com o pequeno brilho lusco-fusco que adentrava nas mínimas arestas da janela. Estava tudo perfeito. Se alguém dissesse que tudo aquilo foi planejado, eu juraria ser mentira.

Com suas pernas de fora e os pés mais lindos do mundo, deslizou pelo carpete em minha direção. E aquilo que chamam de coração e bate forte dentro do peito, parou!

Já a alguns milímetros de distância do meu olhar, da minha boca e de tudo o que cabia entre nós, minha vontade era de jogá-la no chão, ali mesmo, no carpete molhado de vinho e amá-la loucamente, como gritava meu instinto. Não foi o que fiz. E nem o que deveria fazer, já que em seguida ela fechou meus olhos e deslizou seus dedos até meus lábios, pausando o meu mundo.

Sem controle de nada e sentindo um forte tremor, mexi meus dedos tentando tocá-la, mas não foi o suficiente. Porém, ela me tocou primeiro. Trouxe até mim a parte que faltava. Seus lábios. A última força que restava em minhas pernas acabou no mesmo instante em que ela se agachou comigo.

Deitados no carpete, não se importando com nossas roupas que manchariam com o vinho, nos beijamos lentamente. Aquele momento, além de especial, se tornou de outra dimensão. Suas mãos passeavam por dentro de minha camisa. Seus pés tocavam minhas pernas e denunciavam que aquilo iria longe. E meu coração que havia parado de bater… Acelerou!

Desde então, meu riso fez sentido.

Júlio Frutuoso

 
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Publicado por em 6 de setembro de 2011 em J. Frutuoso

 

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Reinado da Alegria…

Madrugada de segunda-feira.
Sonho acordado. Como assim sempre o fiz.
Logo é hora de trabalhar, mas o que importa?
A noite é fria somente lá fora.

Se hoje existe um reinado, este é o da alegria.
Vivo-o dentro do peito. E minha alma assim se contagia.
Pois a paz que muitos não sentem, eu senti.
E o sorriso que muitos procuram, pra mim sorriu.

E tudo isso apenas por eu acreditar,
Que o verdadeiro amor é mais forte do que tudo.

Júlio Frutuoso

 
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Publicado por em 28 de agosto de 2011 em J. Frutuoso

 

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Somente você…

Não foi como deveria ser,
E depois…
Depois daquilo o tempo passou.

Assim como você,
Querendo te esquecer, pelo mundo eu rodei
Perdido em vários becos, me desesperei
Em todos eles, somente em você pensei.

Cansado de rodar
E por mais que fosse minha vontade
Em nenhuma cama eu me deitei

Aquele meu jeito eu até tentei mudar
Por muitas vezes o tempo eu pretendi parar
Meus pensamentos todos eu queria queimar

E tudo isso só me levou a crer
Que sem você
O que demais eu poderia ser?

Maltratado de tanto me enganar
Essa situação desejo agora mudar
De volta ao mesmo lugar e,
Por mais que você já saiba…

Ao meu lado ainda é seu aquele lugar
E somente você… Para sempre,
Somente você poderá ocupar.

Júlio Frutuoso

 
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Publicado por em 15 de julho de 2011 em J. Frutuoso

 

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Madrugada de solidão…

É madrugada, e com os cotovelos apoiados numa janela aberta do décimo terceiro andar um homem observa a madrugada transcorrer. Por um momento ele se lembra de seu avô, que sempre dizia que no silêncio da alvorada é possível ouvir suas necessidades internas, Deus e o sussurrar do mundo.

Por se lembrar disso, sorri singelamente e sente que algumas lágrimas pedem para escorrer, mas respira fundo e as impede. Ele sente falta de alguma coisa. Talvez seja saudade, mas de quem e de quando? Ele não sabe.
Imagens embaralhadas passam por sua cabeça, mas não consegue encontrar um foco. Tenta fazer planos para o dia seguinte, uma sexta-feira santa, mas se queixa de tudo o que imagina e logo desiste.

Ele deseja um cigarro, mesmo não sabendo fumar. Imagina uma taça de vinho seco, mesmo sem saber degustar. Cantarola em pensamentos uma música que não gosta e se pergunta o que está fazendo.

Ele está perdido dentro de si.

Seus olhos piscam pesado. Cachorros latem na rua sem motivo e então ele se cansa. Com as mãos penduradas no pescoço, ele segue para seu quarto. Diante da porta, olhando para sua cama com o mesmo lençol encardido da noite anterior, sentiu falta de quem ali um dia se deitou. Naquele momento era o que ele mais queria. Uma companhia para fazer amor contigo.

Pensou em sair e procurar por prazer barato, rápido e que não precisasse de muitas delongas, mas se recusou gastar o pouco dinheiro que tinha. Mudou então seu rumo para a pia do banheiro, onde molhou seu rosto e se olhou no espelho, reparando na água que escorria por seu rosto.

Parecia entender que sua noite terminava ali.

Não enxergando outra saída, e sem razões para ainda estar acordado, voltou para seu quarto, onde se jogou na cama e ao mesmo tempo em um sono pesado, sem nem mesmo agradecer por mais um dia de vida.

Júlio Frutuoso

 
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Publicado por em 22 de abril de 2011 em J. Frutuoso

 

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Antes que acabe…

E então, por que não começamos antes que o brilho da lua se acabe, esquecendo as luzes da cidade?

Você sabe o que preciso
Provocando-me com seu caminhar
Sabe o que quero
Fascinando-me com seu olhar

E toda noite no meu quarto
Quando tenho você por perto
Com sua pele e seu suor
Sua garra e sua ambição

Esqueço-me das luzes da cidade que brilham lá fora
Até porque, tudo o que preciso queima aqui dentro
E então, por que perdemos tanto tempo?
E então, por que não começamos antes que o brilho da lua se acabe?

Mas antes de tudo,
Não me deixe ir sem fazê-la sorrir
Antes que acabe, não me deixe ir sem ao menos dizer
Que vejo flores em você

Júlio Frutuoso

 
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Publicado por em 22 de março de 2011 em J. Frutuoso

 

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